
“Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro.”
Atlanta, GA – Estados Unidos.
24 de maio de 2016 – Sábado.
Marquei com os meus pais que levaria o Justin para eles conhecerem no sábado, e bom, aqui estamos nós, em frente a porta de entrada da casa dos meus pais.
- Acha que eles vão gostar de mim? – Justin perguntou pela décima vez.
- Já te respondi mil vezes essa pergunta Justin. Sim, acho que eles vão gostar de você. – falei e sorri para ele.
- Espero que gostem. – ele disse e respirou fundo.
Toquei a campainha e recolhi minhas mãos junto ao meu corpo, logo a porta foi aberta. Minha mãe olhou para mim com um sorriso enorme no rosto.
- Oi, minha filha! – me abraçou e depositou um beijo na minha bochecha.
- Oi mãe, esse é o Justin. – disse e minha mãe sorriu para o Justin.
- Olá, Justin. Seja bem-vindo. – desejou e o abraçou.
- Olá senhora Hughes, muito obrigado. – agradeceu.
- Venham, entrem. – minha mãe deu passagem para que entrássemos e assim fizemos.
Meu pai estava sentado no sofá, e assim que nos viu se levantou. Justin apertou a mão do meu pai e os dois se cumprimentaram acenando a cabeça.
- Finalmente nos conhecemos. – meu pai disse e Justin sorriu.
Meu pai deu um sorrisinho bem sacana e eu semicerrei os olhos para ele. Vai começar a seção de perguntas do senhor Hughes. Ninguém merece.
- O que você faz da vida, Justin? – meu pai perguntou.
- Atualmente estou cursando administração e trabalho na empresa do meu pai. – respondeu Justin.
- E você acha que está pronto para ser pai? – mais uma pergunta.
- E-eu acho que sim, quer dizer, sou pai de primeira viagem, mas eu me sinto pronto. – respondeu e eu sorri.
- Você e a Candice foram bem irresponsáveis. Você não pretende ter nada com a minha filha? Porque ela me disse que você não estão juntos. – nessa hora me deu vontade de socar o meu pai e de mandar ele calar a boca.
- Bom... – sorriu e abaixou a cabeça – Aconteceu tudo muito rápido, não foi nada planejado, e eu gosto da Candice, acho que tem grandes possibilidades de ficarmos juntos. – Justin respondeu e sorriu para mim, retribui o sorriso.
Queria que tivesse um buraco aqui para eu enfiar a minha cabeça, meu Deus, o meu pai consegue ser tão inconveniente. Qual é o problema dele em fazer essa pergunta?
- Chega Josh, vamos jantar? – minha mãe perguntou e nós nos levantamos.
Seguimos até a sala de jantar e nos sentamos. Justin estava ao meu lado e de frente para ele está a minha mãe, meu pai está sentado à minha frente e ao lado dele está a minha mãe. Darla, empregada dos meus pais desde que eu me entendo por gente, começou a nos servir.
Dos quatro pratos, o meu é o mais volumoso, e eu posso usar a desculpa de que agora tenho que me alimentar por dois. E isso é bom, é uma das vantagens de estar grávida.
***
Assim que terminamos de jantar, fomos para sala, onde minha mãe ficou mostrando fotos de quando eu era pequena. Porque ela sempre faz isso? E se você pensa que é só com os caras que eu já sai, está errado, ela faz isso com qualquer pessoa que venha aqui em casa. Acho que isso é um dos motivos pelo qual eu nunca trouxe amigos para cá quando ainda morava aqui, a única que veio à minha casa foi a Jill. Meus pais adoram a Jillian, eles consideram ela como uma filha.
Justin e o meu pai se entenderam melhor assim que o assunto foi sobre hóquei. Eu não sabia que o Justin jogava e que é um dos esportes favoritos dele. Meu pai, assim como o Justin, também já jogou hóquei, hoje em dia ele até tenta, mas não tem o mesmo pique que antes.
- Foi um prazer te conhecer Justin, aparece mais vezes aqui. – meu pai disse se despedindo do Justin.
Fiquei um pouco surpresa pela educação do meu pai, e nossa, ele até convidou o Justin a voltar. Isso com certeza é um bom sinal.
- Até logo Justin, cuida da minha pequena. – minha mãe disse e abraçou o Justin. Revirei meus olhos e cruzei os meus braços.
- Até logo senhor e senhora Hughes. – Justin se despediu com um aceno.
- Tchau mãe, tchau pai. – mandei beijos para eles que fizeram o mesmo.
- Tchau querida. – minha mãe disse e abraçou o meu pai.
Me virei para o Justin, que estava olhando para mim com um sorriso no rosto. Fui até ele e caminhamos juntos até o carro.
Assim que entramos no carro, Justin deu a partida e fomos direto para a cobertura.
***
Atlanta, GA – Estados Unidos.
26 de maio de 2016 – Segunda-feira.
Estava atravessando o portão da universidade quando avistei a Jill. Ela estava com o Tom, Henry, Luke, Ashley e a Abby.
Suspirei por saber que a Jillian está muito irritada comigo, e que no mínimo não quer me ver nem pintada de ouro.
- CANDICE! – Luke me viu e acenou para que eu fosse até eles.
Caminhei devagar até o grupinho deles e a Jill me olhou semicerrando os olhos, assim que cheguei perto o suficiente deles, Abby veio até a mim e me abraçou.
- Eu já sei o que está rolando, e meu Deus, eu estou chocada. – ela sussurrou em meu ouvido.
Nossa, que ótimo, aposto que Tom e Henry saíram falando para toda a universidade que eu estou grávida e que vou ser mãe "solteira".
- Quem foi que contou? – perguntei e ela se separou de mim como se não estivesse ouvindo, mas eu sei que ouviu.
- Queen, como você está? – Tom perguntou e eu semicerrei os olhos para ele.
- Estou ótima, Tom... – respondi e ele sorriu para mim.
- Bom, eu já vou indo, está na minha hora. – Jillian disse e se levantou.
- JILL – chamei e ela me olhou. – Será que a gente pode conversar? – perguntei e ela assentiu.
Caminhei até ela e começamos a andar juntas. Assim que estávamos em uma distância razoavelmente boa de todos os outros, paramos de andar e ficamos nos fitando.
- Olha Jillian, eu sei que você não consegue me entender, que não aceita a minha escolha... – suspirei – Mas meu Deus, eu preciso tanto de você Jill, não consigo acreditar que logo agora quando eu mais preciso da sua companhia você está assim comigo. – coloquei a minha mão na minha barriga involuntariamente.
- Candice, não é porque você está sendo burra que eu vou deixar de estar com você. Não vou te abandonar, eu nunca faria isso, por Deus! Até parece que não me conhece. – disse e eu sorri.
- Você sem sombra de dúvidas é a melhor amiga que alguém poderia ter. – falei e abracei a Jillian.
- Ei, mas não pense que estou feliz com a sua escolha idiota de esperar pelo Justin, e não venha depois cheia de arrependimentos para cima de mim que eu vou rir da sua cara e dizer que eu te avisei. – falou e eu arregalei os olhos.
- Retiro o que eu disse sobre você. – falei brincando e nós duas rimos.
- E como o meu sobrinho está? – perguntou passando a mão na minha barriga, dei um sorriso enorme.
- Você disse que é uma menina, e agora está se referindo ao meu bebê como se fosse um menininho. – falei e ela revirou os olhos.
- Não tem como competir, você e o Justin acham que é menino, e bom, vocês são os pais. – ela disse e eu gargalhei.
- Ele está ótimo. – respondi. – Não é meu amorzinho?! – falei com a minha barriga, quer dizer, com o meu filho.
- Estou vendo que essa criança vai ser muito mimada. – Jill disse e eu neguei.
- Nada de criança mimada. – rimos.
- Ok, ok. Vamos que já estamos atrasadas para a primeira aula. Te vejo depois. – Jillian disse e me deu um abraço.
- Ok, até depois. – falei me separando dela e segui rumo a minha sala.
***
Cheguei na cobertura e Justin parecia não estar em casa ainda. Fui direto para o meu quarto e deixei a minha bolsa no mesmo, me despi indo para o banheiro, e logo entrei debaixo do chuveiro. Tomei um banho rápido e sai do banheiro indo em direção ao closet, vesti um blusão que mais parece um vestido e sai do meu quarto. Segui em direção ao quarto do Justin, abri a porta e ele não estava.
Voltei para sala e liguei a televisão, fui em direção a cozinha e comecei a preparar um sanduiche natural. Meu Deus, eu preciso aprender a cozinhar logo. Meu filho não pode viver de sanduiche e pizza, não mesmo.
Comecei a preparar o meu sanduiche e ouvi a porta sendo aberta.
- Candice? – ouvi Justin chamar por mim.
- Estou aqui na cozinha. – falei alto para que ele escutasse.
Ouvi os paços do Justin chegando mais perto e assim que ele se encontrou na cozinha, meu olhar foi de encontro ao dele e sorrimos.
- O que está fazendo? – perguntou e veio até a mim me abraçando por atrás e depositou um beijo no meu pescoço, me arrepiei com o ato dele.
- Um sanduiche, cheguei à conclusão de que preciso aprender a cozinhar logo, a única coisa que sei fazer é espaguete. – ri e ele se separou de mim.
- Então sou eu que vou ter que cozinhar quando nos casarmos? – falou e eu arregalei meus olhos.
- Nós vamos nos casar? – perguntei e ele riu nasalmente.
- Eu falei para o teu pai que tem grandes possibilidades disso acontecer. – respondeu dando de ombro.
- Então, se isso acontecer, você é quem vai cuidar da cozinha. – falei e ele gargalhou.
- Pode deixar. – disse zombando da minha cara.
Terminei de fazer o meu sanduiche e dei uma bela de uma mordida no mesmo.
- Isso parece estar bom. – Justin disse e se encostou na bancada com os braços cruzados sem desgrudar os olhos de mim.
- Você quer? – perguntei e ele sorriu negando.
- Estou sem fome. – explicou e eu assenti dando mais uma mordida no meu sanduiche.
Justin permaneceu do jeito que estava. Olhando para mim como se estivesse encarando uma obra de arte, apreciando cada detalhe, me senti um pouco desconfortável mas não questionei. Justin sorriu para mim e eu arqueei uma de minhas sobrancelhas.
- O que foi? – finamente perguntei e ele riu nasalmente.
- Nada, é que... Deixa para lá. – falou e finalmente descruzou os braços vindo até a mim.
- Você está bem? – perguntei confusa.
- Eu estou ótimo, Candice. – respondeu com um sorriso no rosto.
- Que bom... – sorri.
Justin ficou sorrindo feito bobo e logo cruzou os braços novamente, seu olhar se encontrou com o meu e assim ele ficou. Me encarando novamente.
- Justin, você está tão estranho... – deixei a minha fala no ar e ele sorriu.
- Estou normal, Candice. – respondeu.
- Você bebeu? – perguntei e cheguei perto dele, puxei o ar para ver se sentia cheiro de bebida alcoólica, mas a única coisa que senti foi o cheiro do perfume que tanto amo. Justin gargalhou jogando a cabeça para trás e meu corpo estremeceu com o ato dele.
- Não, eu só estou te achando diferente, e estou tentando perceber o que há de diferente em você. – explicou e eu arqueei as minhas sobrancelhas.
Ok, acho que ele não está tão bem assim, desde quando ele deu para ficar reparando em mim? E em que eu estou diferente? Que eu me lembre, não mudei nada no meu corpo, só o fato deu estar grávida e de possivelmente estar mudando aos poucos por causa da gravidez, mas nem eu percebi as mudanças ainda.
- Ok, então. Eu acho... – falei incerta. Balancei a minha cabeça e suspirei, sai de perto dele e caminhei até a sala.
Me sentei no sofá e fiquei trocando de canal sem parar, a maioria dos canais eram de esporte, eu não gosto muito de esportes, depende muito do tipo de esporte. Eu prefiro arte, concerto, opera, ballet, pintura, escultura, e por ai vai. Acho que aprendi a apreciar os clássicos quando entrei para a aula de ballet, fiz seis anos de ballet, vivi no meio da arte, músicas clássicas, Tchaikovsky, Beethoven, Mozart, nossa, eu sou apaixonada por tudo isso.
Leitura, não é algo que eu aprecie muito, na verdade eu tenho preguiça de ler, mas confesso que dependendo do livro, eu tenho interesse e acabo me dando por vencida, se eu já li cinco livros inteiros é muito.
- Candice... – Justin me sacudiu. Me desvencilhei dos meus pensamentos e o olhei.
- O-oi? – respondi me endireitando no sofá.
- Estou te chamando a um tempo, você estava em outro planeta? – perguntou risonho.
- Me desculpa, é que eu estava pensando em... Deixa para lá. – sorri.
- Ok. – respondeu e se sentou ao meu lado.
- Você iria me dizer algo? – perguntei e ele olhou para mim.
- Na verdade só iria te avisar que marquei a próxima consulta com a doutora Grace. – avisou e eu assenti.
- Quando é? – perguntei.
- No dia 12 de junho. Um mês depois da primeira consulta. – respondeu e eu sorri. Ele gravou bem o dia da primeira consulta.
- Obrigada por marcar a consulta. – bocejei.
- Está com sono? – Justin perguntou e acariciou minhas bochechas. Fechei meus olhos apreciando a sensação que ele me causa por esse ato tão simples.
- Estou sim. – respondi ainda de olhos fechados.
- Vem, eu vou te levar para o eu quarto. – ele disse e se levantou.
Justin veio até a mim, e me pegou no colo de surpresa, agarrei no pescoço dele e enfiei meu rosto contra o peito dele, respirei fundo inalando o cheiro do perfume dele e sorri. Justin me deixa desnorteada, eu não me canso de dizer isso.
Chegamos no meu quarto e ele me deitou na minha cama.
- Dorme bem, princesa. – Justin disse e beijou a minha têmpora.
Sorri para ele que retribuiu o meu sorriso.
- Durma bem, Justin. – desejei e ele assentiu se levantando.
Justin caminhou até a porta do meu quarto e se virou para mim.
- Qualquer coisa me chama. – avisou e eu assenti.
Eu não sei se ele já está mudando realmente, ou se é só mais um truque para conseguir o que quer. Eu só sei que eu estou gostando disso, gosto quando ele aparenta se importar.
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